Moradia em Lagos. Fevereiro de 2024.

1. Dados Gerais do Projeto “Moradia em Lagos”

  • Nome do projeto: Moradia em Lagos
  • Tipo de obra: Obra de construção de uma moradia unifamiliar
  • Localização da obra: Lagos, Algarve, Portugal
  • Cliente: Empresa

2. Projeto de Arquitetura

O descrito em relação ao Projeto de Arquitetura, é no essencial, o que consta da respetiva Memória Descritiva. E créditos devem ser dados ao seu autor.

2.1 Autoria do Projeto de Arquitetura

Autoria da Arquitetura do projeto “Moradia em Lagos”:

  • Coordenadora e Responsável: Arquiteta Rita Falcão
  • Coordenadoras Adjuntas: Arquiteta Sara Azevedo, Arquiteta Roberta Marquardt
  • Colaboradores: Arquiteta Júlia Andrade, Arquiteta Mariana Fontes
  • Gabinete: Arcos Combinados

2.2 Enquadramento

O lote da moradia, localizado em Lagos, Algarve, está inserido num conjunto turístico, em local privilegiado, com boa exposição solar e vistas para o mar, a Sul, e para o Campo de Golfe, a Norte.

2.3 Descrição do edifício

Um dos principais objetivos do projeto de Arquitectura, é priorizar a conexão com a natureza envolvente e promover a relação entre o exterior e o interior da edificação.

Deste modo, são previstas varandas e amplas aberturas de vãos, que proporcionam a entrada de iluminação e ventilação natural no interior da moradia, além de proporcionarem belas vistas.

A moradia é constituída por dois pisos, mais um piso enterrado, que são implantados de forma a aproveitar ao máximo a topografia natural do terreno.

2.3.1 Piso 0 ou Piso Térreo

A entrada principal é realizada através do Piso Térreo ou Piso 0. Piso Térreo, onde está localizado um amplo pátio, um jacuzzi e uma piscina com borda infinita, a Sul.

Neste Piso da moradia, temos ambientes integrados, como o hall de entrada, a sala de estar, a sala de jantar e a cozinha que dá acesso a um alpendre.

Alpendre, que poderá ser contemplado com uma bancada integrada, de forma a permitir a ligação interior/exterior, e ainda possibilitar uma zona de refeições exterior com uma vista privilegiada.

Ainda neste Piso Térreo, é preconizada uma área mais privativa, composta pela casa de banho social, um quarto com closet e instalação sanitária própria e uma divisão destinada a ginásio.

PROGRAMA FUNCIONAL do PISO 0Nº ESPAÇOSÁREA ÚTIL (m2)
Hall133.03 m2
Sala de Estar140.49 m2
Sala de Jantar131.72 m2
Cozinha125.97 m2
Escadas117.89 m2
Ginásio115.69 m2
Casa de Banho15.56 m2
Quarto e ‘Closet’118.29 m2
Casa de Banho do Quarto15.78 m2
PROGRAMA FUNCIONAL do PISO 0

2.3.2 Piso 1

Junto ao Hall de entrada, e neste mesmo Piso Térreo, está localizada a circulação vertical para acesso ao Piso 1.

O Piso 1 alberga duas suítes completas e um escritório.
Ambas as suites têm acesso a uma grande varanda que circula a construção de Norte a Sul, proporcionando diferentes vistas.

PROGRAMA FUNCIONAL do PISO 1Nº ESPAÇOSÁREA ÚTIL (m2)
Suíte Master126.50 m2
Casa de Banho da Suíte Master112.77 m2
Closet da Suíte Master17.52 m2
Suíte119.60 m2
Casa de Banho da Suíte110.00 m2
Closet da Suíte15.39 m2
Varanda das Suítes137.47 m2
Circulação124.73 m2
Escritório118.17 m2
Casa de Banho do Escritório18.55 m2
Varanda do Escritório15.97 m2
PROGRAMA FUNCIONAL do PISO 1

2.3.3 Piso -1, ou Cave, ou Piso da Garagem

Voltando ao Piso Térreo ou Piso 0, junto à sala de jantar, encontramos outra circulação vertical.
A escada em causa dará acesso à Cave.

A Cave é destinada a estacionamento, arrecadação e inclui um espaço técnico para instalação de equipamentos de apoio à piscina, e outras necessidades de infraestruturas de apoio à moradia.

PROGRAMA FUNCIONAL do PISO -1Nº ESPAÇOSÁREA ÚTIL (m2)
Garagem161.09 m2
Área de Serviço112.78 m2
Espaço Técnico16.97 m2
Escadas e Adega115.83 m2
PROGRAMA FUNCIONAL do PISO -1

2.4 Sistema construtivo e acabamentos

A Estrutura da moradia é de betão armado e com fundações diretas.

Como já mencionado, a edificação é constituída por grandes vãos exteriores. Vãos que serão num sistema de envidraçados com vidro duplo e corte térmico e acabamento em madeira. Procurando uma solução sustentável e de baixo impacto ambiental.

Para controlo da incidência solar, o edifício tem palas de sombreamento em betão, existindo ainda a possibilidade de inserção de meios interiores de sombreamento como cortinas.

Os vãos de porta interiores, são em madeira pintada. As paredes interiores são de alvenaria de tijolo cerâmico.
As paredes exteriores são de blocos térmicos, com isolamento aplicado no exterior.

Interiormente as paredes são estucadas e os tectos são revestidos a pladur. Cozinha e casas de banho, são revestidas a azulejo até à altura de 2,00 metros.

Os pavimentos são revestidos com mosaico cerâmico, exceto a sala e os quartos que são em pavimento flutuante.

Em todos os espaços onde se verificar necessário, haverá tetos falsos, contínuos e/ou modulares, no sentido de facilitar e proporcionar a passagem das infraestruturas ocultas (eletricidade, ITED, AVAC, etc.) e as mesmas ficarem com fácil acesso para eventuais necessidades de manutenção.

As Coberturas da moradia, são planas, dotadas dos respetivos isolamentos e camadas impermeabilizadoras, e têm ligeiras pendentes para garantir o correto escoamento das águas.

Às Coberturas são previstos acessos, uma vez que nelas vão ficar localizados alguns dos equipamentos e máquinas essenciais para o bom funcionamento do edifício. Tais como painéis solares, equipamentos exteriores de AVAC, entre outros.

2.5 Áreas e parâmetros urbanísticos globais

  • Área do lote: 4 446,80 m2
  • Área de Implantação do Polígono da Edificação: 878,60 m2
  • Área de implantação da Construção da Edificação: 253,50 m2
  • Área bruta de construção (sem cave): 419,30 m2
  • Área de construção do Piso 0: 253,50 m2
  • Área de construção do Piso 1: 165,80 m2
  • Área verde livre: 759,60 m2
  • Área verde condicionada: 2808,60 m2
  • Área de Impermeabilização: 489,90 m2
  • Cércea: 6,50 m
  • Altura Total: 7,75 m
  • Volumetria: 1 400,33 m3
  • Tipologia: T3 / 6 + 2

3. Colaboração

  • Colaboração: Engenheiro Camilo Mendes.
  • Gabinete: CMendes Engenharia

4. Projeto de Estabilidade

4.1 Autoria do Projeto de Estabilidade

Autoria da Estabilidade, deste projeto “Moradia em Lagos”: Engenheiro António Marquês

4.2 Generalidades da Estrutura e Fundações

Como descrito no Projeto de Arquitetura, trata-se de um imóvel que se desenvolve em três pisos, ou dois pisos mais cave.

O número de patamares considerado no Projeto de Estabilidade, para esta moradia em Lagos, foi de sete. Designadamente e por ordem ascendente:

  • Nível 1: Fundação;
  • Nível 2: Piso 1 da Piscina;
  • Nível 3: Piso 2 da Piscina;
  • Nível 4: Tecto da Garagem;
  • Nível 5: Escadas do Piso 0;
  • Nível 6: Tecto do Piso 0;
  • Nível 7: Tecto do Piso 1 / Cobertura.

A estrutura da moradia, tem características próprias de um edifício de estrutura em betão armado, e é genericamente constituída por lajes, vigas, pilares, muros e elementos de fundação.
Os materiais são os seguintes: Betão C30/37 e Aço S-500.

Os recobrimentos adotados foram de 5 centímetros para as fundações e de 3 centímetros para as restantes peças. No projeto, foi adotada uma espessura de 25 centímetros para as secções de pilares e vigas.

4.3 Lajes

Todas as lajes da obra são maciças, com exceção das lajes do Nível 7, ou lajes da Cobertura.
Todas as lajes maciças, nomeadamente as do Nível 4 “Tecto da Garagem”, e as do Nível 6 “Tecto do Piso 0”, são elementos de transição, ou seja, têm pilares a nascer.

A Cobertura apresenta vãos de grande dimensão, que atingem os 12 metros.
Como tal, a solução de laje maciça é pouco viável, quer pela espessura de laje que seria necessária para vencer vãos desta ordem de grandeza, quer pelas cargas excessivas que uma laje maciça iria transmitir à Estrutura.

Deste modo e para o nível da Cobertura, optei pela solução da laje fungiforme aligeirada / nervurada, que permite vencer os vãos apresentados pela Arquitetura e tira cargas à Estrutura.

4.4 Grau de complexidade da Obra

A obra apresenta uma complexidade considerável, derivada por exemplo:

  • das descontinuidades do modelo e do número significativo de elementos de transição;
  • do número significativo de elementos de transição, associados a uma solução idealizada pela Arquitetura de lajes “lisas” ou lajes fungiformes;
  • do grande número de pilares, dos diferentes tipos de pilares ou dos diferentes patamares onde estes pilares nascem e terminam;
  • dos vãos a vencer, combinados com um modelo com bastantes descontinuidades e abundante em elementos de transição.

4.5 Volume de peças do Projeto de Estabilidade

Tendo em conta a volumetria da obra desta moradia, o respetivo projeto de Estabilidade, vai naturalmente gerar um número de peças importante. Designadamente no que respeita a desenhos.

O grau de complexidade apresentado, também pede maior atenção e cuidado, das peças em geral e dos desenhos em particular.

4.6 Mapas de Pilares

Considerando o grau de complexidade da obra, a mesma requer bastante atenção na execução e a melhor compreensão possível do Projeto de Estabilidade.

Tendo isto em mente e no que respeita em particular aos pilares, para o Projeto de Estruturas desta moradia em Lagos, foram criados desenhados denominados “Mapas de Pilares”.

Estes “Mapas de Pilares”, como o nome indica, fazem o mapeamento dos pilares. Nomeadamente dos pilares que nascem num dado patamar.

Ainda no sentido de simplificar ao máximo a interpretação do projeto, dos pilares e dos “Mapas de Pilares” da obra, optei por criar “Quadros de Pilares” para cada patamar.

“Quadros de Pilares” para cada patamar, com os pilares que nascem do patamar.

Estes “Mapas de Pilares” e “Quadros de Pilares”, para cada patamar, com os pilares que nascem do patamar, foram criados de modo a acautelar a correta implantação dos respetivos arranques, entre outros aspetos.

4.7 Projeto de Execução

Para o Projeto de Estabilidade desta moradia em Lagos, foi utilizado software BIM (Building Information Modeling), gerador de ficheiros IFC (Industry Foundation Classes).

Foi também através do modelo BIM que se obteve as peças do Projeto de Execução, nomeadamente o Mapa de Quantidades e o Orçamento.

4.7.1 Quantidades da Obra

As quantidades obtidas para a obra, foram de 539,170 metros cúbicos de betão e 115 804 quilogramas de varões de aço.

4.7.2 Orçamento da Obra

A obra de Estrutura e Fundações para esta moradia, foi orçamentada em 379.324,14 € (sem IVA) ou 466 568,69 € (valor com IVA de 23%).

4.8 Legislação

A Estrutura e Fundação, foram calculadas e dimensionadas segundo os Eurocódigos, designadamente o Eurocódigo 2, relativo ao Projeto de Estruturas de Betão e o Eurocódigo 8, relativo ao Projeto de Estruturas em Regiões Sísmicas.

5. Descrição das imagens constantes da galeria de imagens

  • Imagem 1 a 3: Projeto de Arquitetura. Imagens do modelo 3D da Arquitetura.
  • Imagem 4 e 5: Projeto de Estabilidade. Fundação: Mapas de Pilares.
  • Imagem 6: Projeto de Estabilidade. Fundação: Plantas da Estrutura.
  • Imagem 7: Projeto de Estabilidade. Fundação: Quadros de Pilares.
  • Imagem 8: Projeto de Estabilidade. Fundação: Vigas.
  • Imagem 9: Projeto de Arquitetura e Projeto de Estabilidade. Imagens dos modelos 3D.
  • Imagem 10 e 11: Projeto de Estabilidade. Tecto da Garagem: Mapas de Pilares.
  • Imagem 12: Projeto de Estabilidade. Tecto da Garagem: Plantas da Estrutura.
  • Imagem 13: Projeto de Estabilidade. Tecto da Garagem: Quadros de Pilares.
  • Imagem 14: Projeto de Estabilidade. Imagens do modelo 3D. Vistas da Cobertura.
  • Imagem 15: Projeto de Estabilidade. Tecto do Piso 0: Mapas de Pilares.
  • Imagem 16: Projeto de Estabilidade. Tecto do Piso 0: Plantas da Estrutura.
  • Imagem 17: Projeto de Estabilidade. Tecto do Piso 1 / Cobertura: Plantas da Estrutura.
  • Imagem 18: Projeto de Arquitetura. Modelo 3D da Arquitetura. Vistas do hall e das escadas do Piso 0.
  • Imagem 19 e 20: Projeto de Estabilidade. Escadas e Rampas da Estrutura.